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Prática de automedicação em casos de dor de dente é comum
A dor exerce um
impacto tão grande em uma pessoa, que, muitas vezes, a leva a se
automedicar. Levando em consideração que a dor de dente é uma das
mais prevalentes entre a população e também uma das mais incômodas,
Flávia Duarte e equipe da Faculdade de Odontologia da Universidade
do Estado de Pernambuco resolveram avaliar os fatores associados à
automedicação relacionados à dor de dente, de modo a contribuir para
a melhoria da qualidade de vida da população.
Para tanto, os pesquisadores analisaram o nível de conhecimento dos
profissionais de farmácias do Recife (PE) sobre a automedicação
relacionada à dor de dente. Foram entrevistados 179 profissionais em
120 estabelecimentos visitados. Os dados foram coletados através de
questionário. De acordo com artigo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, “em países desenvolvidos,
os rígidos controles estabelecidos pelas agências reguladoras e o
crescente envolvimento dos farmacêuticos com orientação dos usuários
de medicamentos tornam menos problemática a prática da
automedicação. Já no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira
das Indústrias Farmacêuticas (ABIFARMA), cerca de 80 milhões de
pessoas são adeptas da automedicação”.
Os resultados mostram que 67,0% dos entrevistados atenderam pessoas
que relataram dor facial nos últimos seis meses, sendo que 91,6%
relataram dor de dente. Os especialistas observaram ainda que 83,7%
dos homens e 73,3% das mulheres indicaram medicamentos sem
prescrição e que os profissionais com 2º grau indicam mais
medicamentos sem prescrição para pacientes com dor de dente. “Ficou
evidenciado que o tempo de atividade no setor e a formação do
profissional são fatores que podem contribuir para o aumento da
automedicação, tendo sido demonstrado que quanto maior o tempo de
trabalho na área e menor a qualificação profissional, maior o
percentual de indicação de medicamentos sem prescrição”, afirmam no
artigo.
Segundo os pesquisadores, o impacto da dor de dente na utilização de
medicamentos reforça a necessidade de informar a população sobre o
uso adequado destes medicamentos. “Este trabalho demonstrou a
importância de serem planejadas ações de promoção de saúde bucal que
envolvam os profissionais da área de dispensação de medicamentos,
pois dado a grande falta de acesso aos serviços odontológicos da
população brasileira, principalmente entre os 20% mais pobres e que
estão na faixa etária de 20-49 anos, estes profissionais podem se
constituir em importantes agentes promotores da saúde bucal”,
ressaltam.
Agência Notisa
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